{"id":1168,"date":"2026-01-01T20:29:45","date_gmt":"2026-01-01T20:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/under.fba.up.pt\/?post_type=research_text&#038;p=1168"},"modified":"2026-01-26T11:22:39","modified_gmt":"2026-01-26T11:22:39","slug":"dis-non-mis-re-placed","status":"publish","type":"research_text","link":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/textos\/dis-non-mis-re-placed\/","title":{"rendered":"Dis-Non-Mis-Re-placed?"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Este ensaio surge de uma investiga\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da minha pr\u00e1tica art\u00edstica e das minhas reflex\u00f5es sobre identidade, enquanto cidad\u00e3 e artista portuguesa-iraniana, (p\u00f3s)migrante, nascida em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer uma retrospetiva dos \u00faltimos dez anos (desde 2015) sobre as minhas experi\u00eancias vivenciais e d\u00favidas identit\u00e1rias \u2013 que surgiram no seguimento do questionamento feito pela Rep\u00fablica Isl\u00e2mica \u00abno\u00bb Ir\u00e3o, que imp\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o de um processo burocr\u00e1tico moroso para a obten\u00e7\u00e3o oficial da minha nacionalidade iraniana, de forma a permitir a entrada no pa\u00eds \u2013 e sobre o trabalho em s\u00e9rie a que chamei de <em>LandMarks Series<\/em> \u2013 que acompanhou todo o processo e permitiu construir a identidade da minha pr\u00e1tica art\u00edstica e reconstruir parte da minha identidade pessoal \u2013 deparei-me com uma problem\u00e1tica maior relativa \u00e0 minha identidade: o sentimento de <em>in-betweeness<\/em> e o meu lugar de perten\u00e7a no meio destas duas culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta quest\u00e3o surgiu em 2021, na sequ\u00eancia da pesquisa realizada sobre o meu nome, quando me apercebi que o questionamento da minha identidade j\u00e1 me acompanhava h\u00e1 mais tempo e estava a ser feito por ambos os territ\u00f3rios com que me identificava. Por um lado, em Portugal fui sempre vista como uma estrangeira devido ao meu apelido iraniano, originando abordagens, muitas vezes, de teor xen\u00f3fobo e islamof\u00f3bico; por outro, no Ir\u00e3o era vista como uma turista portuguesa com nome iraniano, que tinha de provar a sua origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi aqui que comecei a refletir sobre conceitos como deslocamento, provenientes de processos migrat\u00f3rios, e a tentar perceber como poderia criar uma investiga\u00e7\u00e3o especulativa mais s\u00f3lida aliada \u00e0 pr\u00e1tica art\u00edstica, de forma a encontrar um <em>espa\u00e7o<\/em> onde me identificasse, sentisse confort\u00e1vel e que refletisse uma vis\u00e3o transcultural e transfronteiri\u00e7a, onde mais pessoas se pudessem tamb\u00e9m identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, este trabalho \u00e9 o ponto de partida desta procura, visto como um objeto-processo, objeto-documento, objeto-obra de investiga\u00e7\u00e3o de artista, que ser\u00e1 continuado e desenvolvido no decorrer da minha investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirada na metodologia proposta por Redi Koobak no seu texto <em>Six Impossible Things before Breakfast. <\/em><em>How I Came across My Research Topic and What Happened Next <\/em>ena metodologia usada por Rick Rubin no seu livro <em>O ato criativo. <\/em><em>Um modo de ser<\/em>, este trabalho manifesta-se, principalmente, atrav\u00e9s de um conjunto de textos escritos de forma autom\u00e1tica, a partir de pensamentos, reflex\u00f5es, d\u00favidas e observa\u00e7\u00f5es feitas ao longo de um m\u00eas e meio, como se de um di\u00e1rio de bordo se tratasse, para instigar a procura, a cria\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de uma identidade pessoal (individual e coletiva) e art\u00edstica que se pretende renovar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este poss\u00edvel livro de artista, como o vejo, concebido sob o efeito de tr\u00eas vozes \u2013 a pessoal e autobiogr\u00e1fica, a \u201cacad\u00e9mica\u201d e a art\u00edstica \u2013, que se cruzam e n\u00e3o respeitam especificamente uma linearidade r\u00edgida de leitura e manuseamento, utiliza v\u00e1rios princ\u00edpios metodol\u00f3gicos e apresenta-se da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>1) um conjunto de quinze descri\u00e7\u00f5es sobre certos acontecimentos di\u00e1rios (como encontros, workshop, mem\u00f3rias) que selecionei e que considerei serem um contributo construtivo para a proposta, combinadas com a an\u00e1lise e compreens\u00e3o de um conjunto de textos de autores como Guy Cools, Homi Bhabha, Iain Chambers, Zygmunt Bauman, que questionam as problem\u00e1ticas da identidade na era contempor\u00e2nea, o estado e sentimento de <em>in-betweeness<\/em> proveniente de culturas h\u00edbridas e de processos de migra\u00e7\u00e3o, que me ajudaram a reestruturar o pensamento e a encontrar uma defini\u00e7\u00e3o mais clara para o <em>meu<\/em> lugar de perten\u00e7a, ainda que este se manifeste de forma ficcionada e abstrata;<\/p>\n\n\n\n<p>2) Duas an\u00e1lises sint\u00e9ticas da pr\u00e1tica art\u00edstica das artistas iranianas Leila Seyedzadeh e Tara Fatehi, cujas obras, que refletem quest\u00f5es de identidade, migra\u00e7\u00e3o e deslocamento, serviram para entender melhor as suas preocupa\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas enquanto cidad\u00e3s n\u00e3o residentes no Ir\u00e3o, assim como aprofundar as metodologias utilizadas na tentativa de proporcionarem uma nova vis\u00e3o para a minha pr\u00f3pria pr\u00e1tica art\u00edstica;<\/p>\n\n\n\n<p>3) Duas reflex\u00f5es sobre trabalhos que realizei em anos anteriores que, pelas suas bases conceptuais, formais e performativas, s\u00e3o agora vistas como uma possibilidade de apropria\u00e7\u00e3o para trabalhos futuros;<\/p>\n\n\n\n<p>4) Seis (re)formula\u00e7\u00f5es e maquetiza\u00e7\u00f5es de poss\u00edveis projetos futuros que estavam engavetados e que aqui s\u00e3o apresentados sob a forma de <em>Scores, <\/em>que acompanham e testam o pensamento desenvolvido.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 de notar que, uma vez que esta proposta \u00e9 vista como uma procura processual em curso \u2013 que at\u00e9 agora ajudou a estabelecer um ritmo di\u00e1rio de trabalho e a reestruturar o pensamento \u2013, optou-se por n\u00e3o apresentar uma conclus\u00e3o definitiva e formal nesta fase, uma vez que o intuito \u00e9 o de dar continuidade ao processo <em>a posteriori.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Boa viagem!<\/em><\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/under.fba.up.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Publicacao-final.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:860px\" aria-label=\"Embed of Dis-Non-Mis-Re-placed?.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-a57a4375-16af-4122-9fd3-ecc50f7bbf0e\" href=\"https:\/\/under.fba.up.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Publicacao-final.pdf\">Dis-Non-Mis-Re-placed?<\/a><a href=\"https:\/\/under.fba.up.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Publicacao-final.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-a57a4375-16af-4122-9fd3-ecc50f7bbf0e\">Descarregar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<hr>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Rebecca Moradalizadeh<strong>&nbsp;<\/strong>(1989, Londres) artista pl\u00e1stica, performer e educadora art\u00edstica portuguesa-iraniana, vive e trabalha no Porto. Doutoranda em Artes Pl\u00e1sticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, \u00e9 mestre em Estudos Art\u00edsticos e licenciada em Artes Pl\u00e1sticas \u2013 Multim\u00e9dia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. A sua pr\u00e1tica art\u00edstica, que envolve performance, videoarte, fotografia e gastronomia, centra-se nas quest\u00f5es de identidade, territ\u00f3rio, (p\u00f3s)migra\u00e7\u00e3o, deslocamento, g\u00e9nero, arquivo e mem\u00f3ria, refletindo, sobretudo, sobre o seu lugar de perten\u00e7a.<br><a href=\"https:\/\/rebeccamoradalizad.wixsite.com\/visualartist\">https:\/\/rebeccamoradalizad.wixsite.com\/visualartist<\/a><\/h5>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<hr>","protected":false},"author":11,"featured_media":1183,"template":"","text_type":[20],"topic":[27],"class_list":["post-1168","research_text","type-research_text","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","text_type-escritos","topic-understatement_1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/research_text\/1168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/research_text"}],"about":[{"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/research_text"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/research_text\/1168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1233,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/research_text\/1168\/revisions\/1233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"text_type","embeddable":true,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/text_type?post=1168"},{"taxonomy":"topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/under.fba.up.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/topic?post=1168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}